W-P-W (síndrome de Wolff-Parkingson-White), como tratar?

5 Flares Twitter 0 Facebook 5 Google+ 0 Filament.io 5 Flares ×

Já falamos um pouco sobre a síndrome de W-P-W em um post anterior. Os pacientes que apresentam esta síndrome devem tomar alguns cuidados e estão proibidos de exercer algumas atividades. Mas como tratar esta doença?

O quê significa W-P-W? 

Estas são as iniciais dos nomes dos médicos estudiosos que reconheceram esta doença e que hoje levam o seu nome: Wolff-Parkingson-White.

O quê é a W-P-W? 

“Carinhosamente chamada” de “Wolff” esta doença é uma síndrome cardíaca que apresenta uma alteração específica no eletrocardiograma (encurtamento no intervalo PR) e palpitações provocadas por arritmias cardíacas graves e algumas vezes, fatais.

Qual o mecanismo da doença?

Vejam bem, existe uma corrente elétrica no coração que é transportada pelos feixes elétricos do coração… Elas seguem um caminho normal, saindo do nó sinusal, passando pelo feixe AV, chegando ao nó átrio-ventricular e passando nos feixes que conduzem o impulso aos ventrículos.

O que ocorre é um curto circuito e o estímulo passa diretamente do feixe AV para os feixes de His (feixes ventriculares). Assim, os ventrículos são estimulados precocemente – uma excitação prévia ao que deveria ocorrer – por isso, a WPW também é chamada de pré-excitação ventricular.

Como tratar? Medicação ou cirurgia?

O objetivo do tratamento é evitar que esta condução ocorra por esta via anormal e passe a ocorrer somente pela via normal. Assim, os médicos lançam mão de medicamentos que tentam impedir que o estímulo passe pela via anormal e siga o caminho normal.

Ablação: Entretanto, estes medicamentos nem sempre conseguem fazer isso e uma outra forma de tratamento é fazer a Ablação (cauterização e eliminação) desta via anômala para que o estímulo cardíaco não tenha mais como fazer este caminho. Nesta opção de tratamento, a via anômala é eliminada e o paciente fica curado.

EEF – Estudo Eletro-fisiológico – de quê se trata?

Este é o principal exame do coração para fazer o mapeamento destas vias anômalas – É este exame que detecta o local exato desta via anômala e que direciona o médico para fazer a cauterização/ablação no local correto, com mínimas chances de erros. Praticamente todos os pacientes realizam este exame.

 

Qual o risco da ablação cirúrgica?

Veja bem… o paciente passará por uma cirurgia no coração, mas, diferente das outras cirurgias, ele receberá um corte de 2 ou 3 centímetros na perna.

Não haverá cortes no peito? Não, não haverá. Como disse, um corte de 3cm na perna (na virilha) e ninguém ficará com cicatriz visível.

Anestesia? no geral, a anestesia é geral para que o paciente não faça movimentos durante o procedimento.

Riscos? Toda cirurgia tem risco e cirurgias no coração são claramente mais arriscadas que as demais. Entretanto, o risco de uma morte súbita durante o procedimento é pequeno e controlado. Aliás, se eu pudesse escolher um momento para ter uma arritmia cardíaca, que este momento fosse no momento de uma ablação, pois os médicos estão prontinhos para resolvê-la e fazer o tratamento adequado.

Tempo de internação: No geral, dois dias.

Recuperação: pouquíssimos dias… e não há um repouso específico, a não ser para a perna que foi cortada (aquele corte de 3cm).

 

E você? Já realizou esta cirurgia? Conte-nos como foi a sua experiência… o que você sentiu, o tempo de internação, etc.

Deixe aqui o seu comentário e ajude a outros pacientes com a sua experiência!

24 comments for “W-P-W (síndrome de Wolff-Parkingson-White), como tratar?

  1. Luciana Cavalcanti
    06/04/2012 at 1:40 pm

    Boa tarde Dr. Fiz o procedimento em 2007. E agora apareceu uma nova via

    • 06/04/2012 at 6:23 pm

      Olá, Letícia.
      As vias anômalas são vias que estão em você desde o nascimento. O que ocorreu é que só agora elas foram encontradas.
      As vezes, temos vias anômalas que não se manifestam sob a forma de arritmias, isso é que é importante saber ao fazer o exame.

      Leonardo.

  2. Mauro Evandro
    15/04/2012 at 7:37 pm

    Quais são as restrições de atividades físicas para os tratados por medicamentos e para os tratados por cirurgia? Alguém assintomático pode se submeter a cirurgia? Pretendo realizar concurso público e tenho medo que possa ser barrado. Obrigado.

    • 04/05/2012 at 1:08 am

      Olá, Mauro.
      A decisão e escolha do tratamento adequado depende da opinião do médico e do paciente, em um consenso.
      A necessidade de cirurgia não é determinada somente pela presença ou ausência de sintomas e, da mesma forma, deve ser avaliada juntamente com o médico.
      Quanto ao concurso público… tudo dependerá da função que terá no futuro emprego… Note que a Síndrome de W-P-W impede a prática de atividades físicas mais intensas… Dê uma olhada neste post: http://sopronocoracao.com/2012/01/28/wolf-parkinson-white-e-o-trabalho/

      Abraços.
      Leonardo.,

      • Mauro Evandro
        05/05/2012 at 7:58 pm

        Certo Doutor, a síndrome impede prática de atividades físicas intensas, mas também para aqueles pacientes submetidos a cirurgia e considerados “curados”? Meu interesse em concursos seria na área policial e sei que os cursos exigem práticas de atividades físicas. Obrigado pela atenção.

        • 06/05/2012 at 8:32 am

          Olá, Mauro.
          Se o seu médico o considerou “curado” do WPW, você está Curado! Temos que pensar assim.
          Um paciente curado de uma doença provavelmente poderá realizar atividades físicas, mesmo intensas.
          Disse provavelmente pois é o seu médico que deverá ou não liberá-lo para a prática de atividades físicas – consulte-o pois existem outras doenças neste mundo que precisam ser descartadas.
          Conseguiu entender direitinho? Fique á vontade!
          Leonardo.

  3. Gabriel
    22/05/2012 at 3:20 pm

    boa tarde, fiz recentemente um procedimento de ablação sendo que logo após o problema foi resolvido, mas num Eco realizado no dia seguinte o problema retornou. O médico informo que não podia forçar demais o catéter por estar muito próximo da condução elétrica principal do coração. Daqui uns dias irei fazer uma nova consulta e avalizar se farei nova ablação ou o que pois morro de mede de ter que acabar usando um marcapasso.
    Dr Leonardo, o que você aconselharia?
    Obrigado.

    • 10/06/2012 at 11:16 pm

      Olá, Gabriel.
      Pelo que podemos perceber, o seu médico é bastante cauteloso e cuidadoso.
      O uso de marca-passo é uma complicação do tratamento, sim… mas vamos torcer para que tudo ocorra da melhor maneira possível.
      Grande abraço.
      Leonardo.

  4. aline veiga
    09/10/2012 at 5:56 pm

    ola por favor me responda estou desesperada meu marido foi diagnosticado com W-P-W (síndrome de Wolff-Parkingson-White), ele pode exercer a profissão de eletricista pode subir em escadas? me responda por favorrrr obrigado desde já .

    • 28/10/2012 at 3:38 pm

      Olá, Aline
      Obrigado pela participação, pois é muito importante para direcionar novos posts.
      Para melhores orientações, consulte o seu médico de confiança, ok? Faça novas visitas no blog que estarei atualizando os temas de acordo com suas perguntas e sugestões.
      Seguindo as às orientações do Conselho Federal de Medicina, infelizmente não estarei respondendo diretamente as perguntas nos comentários; faremos novos posts relacionados ao tema ou atualizaremos os posts prévios.
      Grande abraço.
      https://www.facebook.com/DrLeonardoAlves
      Leonardo.

  5. dulce silva
    12/10/2012 at 8:03 pm

    Olà , tenho essa sindrome wpw, porém foi realizado o ablação mas os medicos não .obtiveram sucesso, por a via estar localizada muito proxima, do circuito principal.então passei novamente com o cardio e ele solicitou um angiotomografia coronaria,que tbm já fiz mas os medicos acharam que não vão conseguir fazer laudo , porque meus batimentos não abaixaram para 60bt.
    talvez vou ter que reprogramar outro exame…

    • 28/10/2012 at 3:35 pm

      Olá, Dulce
      Obrigado pela participação, pois é muito importante para direcionar novos posts.
      Para melhores orientações, consulte o seu médico de confiança, ok? Faça novas visitas no blog que estarei atualizando os temas de acordo com suas perguntas e sugestões.
      Seguindo as às orientações do Conselho Federal de Medicina, infelizmente não estarei respondendo diretamente as perguntas nos comentários; faremos novos posts relacionados ao tema ou atualizaremos os posts prévios.
      Grande abraço.
      Leonardo.

  6. Mário Ângelo
    01/05/2013 at 3:59 pm

    Olá, minha noiva de 18 anos, descobriu recentemente que tem a doença WPW. Nós morramos no interior da Bahia, próximo a Vitoria da Conquista, estamos preocupados por que o médico disse que é preciso fazer a cirurgia. Queremos saber quais os lugares no Brasil são feita essa cirurgia, desde já agradecemos.

  7. 01/06/2013 at 12:19 pm

    Olá,
    Quando eu fiz os exames me disseram que eu tinha um “Intervalo PR Curto” e mencionaram fazer esse procedimento. Mas nenhum cardiologista mencionou o nome WPW. Poderia me esclarecer se são as mesmas coisas, ou pode haver distinção entre eles? Obrigado.

    • 31/05/2014 at 5:32 pm

      Olá,
      O WPW é uma das formas de Intervalo PR curto, há outras, mas a mais comum é WPW.
      Tem outra: Long-Ganong-Levine (outro nome), também.
      O PRi curto é o que está no eletro. A síndrome é a alteração + Sintomas + Manifetsações da doença.
      Abraços.

  8. Everton
    22/07/2013 at 10:43 am

    Dr Leonardo bom dia
    Tenho 34 anos e aos 28 fui diagnosticado com sopro de grau 0 ou 1 não sei ao certo quando apresentei uma arritmia e agora fui diagnosticado com WPW e o meu médico indicou a Ablação, gostaria de saber a cirugia é de risco e qual o tempo de pós operatorio. Obrigado.

  9. 18/09/2013 at 12:54 pm

    Dr. minha filha tem 1 ano e meio, e tem wpw, o medico falou que a função do coração dela está em 78%, como é? o coração não funciona em sua capacidade maxima tendo a sindrome, ou isso é normal para todo mundo?

  10. Talita Reis
    20/09/2013 at 6:12 pm

    Quanto custa uma cirurgia de wpw ?

  11. Rafael
    26/05/2014 at 12:58 am

    Quero saber a idade e peso minima para cirurgia .

    • 31/05/2014 at 11:55 am

      Olá, Rafael.
      Depende da presença ou não de sintomas.
      A SÍNDROME é o conjunto de Sintomas + Alterações no Eletro – se houver só alterações no eletro, espera-se mais tempo para a cirurgia.
      Se houver sintomas (relacionados) daí, opera-se o quanto antes.
      Mas não há uma regra específica de idade e peso.
      Abraços.

  12. Miguel fernandes
    10/06/2014 at 6:58 am

    Ola sr doutor fez uma semana que realizei a queima desta via acessória só que agora a perna onde fiz o pequeno corte esta um pouco negra perto da virila e sinto ainda com algumas dores ao contrario dos dois primeiros dias após a cirurgia será que esta tudo bem ?

    • 27/07/2014 at 4:18 pm

      Olá, Miguel.
      ótimo que já tenha tratado…
      A perna escura é um HEMATOMA leve, que é EXTREMAMENTE COMUM… De todo modo, mostre para seu médico.
      Ele vai amarelar e depois sumir…
      Abraços.

  13. Miguel fernandes
    10/06/2014 at 7:00 am

    E também tenho a perna ligeiramente inchada

  14. Juliana
    16/06/2014 at 5:35 pm

    Olá pessoal!

    Hoje tenho 29 anos, e desde os 5 anos comecei com arritmia, sem saberem ao certo o diagnostico…foi muito sofrido, muitas crises…meu coração chegava a 365 bpm, tomei muito propanolol…aos 12 anos em 1996 fiz o cateterismo, seguido da ablação que graças a Deus e a equipe médica, foi um sucesso…tinha WPW, minha via anômala tbm é próxima a aorta e a carga elétrica não foi tão forte, mas tudo ocorreu bem, no dia seguinte voltei para casa, mantive repouso, as vezes o coração disparava, mas o médico disse que era normal, o corte na perna e no pescoço foram bem pequenos, hj tem uma pequena marquinha no pescoço, mas praticamente imperceptível. Depois de um tempo acabei não fazendo mais acompanhamento, e aos 18 anos, meu coração começo a bater muito rápido e aí, pronto surtei…alguns médicos falaram que minha arritmia havia voltado, me prescreveram até ritmonor, inconformada procurei o medico que fez a cirurgia e ele, viu meu eletro e disse: “sua arritmia não voltou, vc esta liberando muita adrenalina” me pediu um monte de exames e tudo normal e o diagnostico Síndrome do Pânico… e depois que fiquei bem abandonei o acompanhamento…e há pouco tem procurei um cardiologista e ela escreveu no eletro “inúmeras E.S.S.R” disse que são extra-sistoles e pediu uma dezenas de exames…fiquei com medo, medo este que me acompanha desde de criança, tenho pavor, de médico, hospital…enfim fico tão nervosa que nesta consulta minha pressão estava 22×16…para não dizer que não fiz nenhum exame fiz o mapa da pressão…e foi normal.

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *

5 Flares Twitter 0 Facebook 5 Google+ 0 Filament.io 5 Flares ×